Japão: Resumo História Geografia Artes Literatura Língua Religião Costumes Culinária Imigração

IMIGRAÇÃO PARA O BRASIL

Em 1894, ocorreu a primeira tentativa de trazer imigrantes para São Paulo, Brasil, mas fracassou em virtude da inexistência de relações diplomáticas entre os dois países. Em 1895, foi assinado o primeiro Tratado de Amizade, Comércio e Navegação, trocando, no ano seguinte, embaixadores entre si. Mas, a ocorrência de uma crise provocada pela superprodução de café adiou, mais uma vez, a vinda dos imigrantes japoneses.

Em 1906, o ex-deputado Riu Mizuno, presidente da Companhia Imperial de Emigração, desencadeou no Japão a célebre campanha "trabalhe no Brasil e fique rico". No dia 6 de novembro de 1907, o Governo Paulista e a Companhia Imperial assinavam um contrato prevendo a entrada de 3.000 imigrantes ao longo de três anos.

Em 1908, entraram em São Paulo 40.225 imigrantes, dos quais somente 781 japoneses que chegaram em 18 de junho, a bordo do navio Kasato Maru. Segundo o Governador do Estado, Albuquerque Lins, foi decepcionante devido serem, em sua maioria, indivíduos solteiros e pouco habituados à lavoura. Além das dificuldades advindas do choque cultural, esses imigrantes enfrentavam condições de vida e de trabalho muito aquém de suas expectativas, até porque estavam substituindo a mão-de-obra escrava que foi abolida em 1888. Após 9 meses de sua chegada, somente 191 imigrantes ainda permaneciam nas fazendas.

Em 1910, chegou a segunda leva de imigrantes: 960 pessoas. Com o início da Primeira Grande Guerra, o fluxo migratório foi dificultado. Mas, mesmo assim, entre 1916 e 1922, o porto de Santos recebeu 32 navios de emigrantes.

Até 1921 haviam chegado mais de 30.000 imigrantes japoneses. O período compreendido de 1925 à 1935 é considerado o auge do fluxo migratório, devido ao caos econômico em todo o mundo.

A província de Okinawa fornecia o maior contingente de emigrantes, que era seguido pelo de Kumamoto, Fukuoka, Hokkaido, Fukushima, Kagoshima, kochi, entre outras.

A viagem do Japão para o Brasil era, no mínimo, uma aventura arriscada que costumava durar, aproximadamente, dois meses. Era comum o aparecimento de epidemias, devido a falta de higiene e instalações precárias dos navios. Um dos passageiros, Sr. Kosaku sasazaki, vindo em 1932, relata: "... obviamente não havia nenhum conforto, mas o que servia de consolo era a passagem para o Brasil, bancada pelo governo japonês que, além disso, ajudava os emigrantes com certa quantia em dinheiro".

Inicialmente, dois grupos étnicos predominavam:

1) Imigrantes oriundos do principal arquipélago japonês, os naiti-jin.

2) Imigrantes oriundos das ilhas Ryukyu, os okinawa-jin. Possuíam língua, costumes e características físicas diferenciadas e foram submetidos a um longo processo de dominação pelos japoneses do arquipélago nipônico. No Japão sofriam discriminações e no Brasil procuravam manter-se como um grupo social à parte em relação aos demais japoneses.

Até 1942, os japoneses que viviam no Brasil estavam fortemente orientados para o Japão pois o objetivo era o êxito rápido e a volta para a sua terra natal. A predisposição para assimilação da cultura brasileira e à construção de um novo modo de vida era, até aquele momento, muito reduzida. Nessa época, o mundo estava em plena Segunda Guerra Mundial.

Apesar de o Brasil não ter declarado guerra ao Japão, o rompimento de relações diplomáticas proporcionou uma série de medidas que limitaram as atividades de japoneses, italianos e alemães. Os depósitos bancários foram congelados e as escolas e associações nipônicas foram fechadas. Esta guerra provocou, no meio da colônia japonesa, seríssimas conseqüências durante e após o término, marcando a história com período envolto em trevas, com acontecimentos absurdos que hoje não caberiam em nosso raciocínio.

O emprego da bomba atômica pelos Estados Unidos da América sobre as cidades de Hiroshima e Nakasaki determinou o fim do conflito com o Japão em agosto de 1945. As conseqüências dessa guerra se alastraram por muitos anos, mas, no dia 19 de fevereiro de 1952, após revogação das medidas restritivas aos imigrantes, pouco à pouco, foi sendo estabelecida a integração dos japoneses e brasileiros.

Hoje, os imigrantes japoneses e seus descendentes estão inteiramente integrados à sociedade brasileira e conscientes da sua missão como bons cidadãos brasileiros. Estão presentes em todas as atividades profissionais e sociais, quer na política, na magistratura, na justiça, na medicina, enfim, em todos os serviços. As comidas e iguarias japonesas vêm sendo introduzidas e apreciadas cada vez mais por todos os brasileiros. É a miscigenação completa dos imigrantes japoneses na sociedade brasileira.

IMIGRAÇÃO PARA MARÍLIA - SP

Em 1926, Marília recebe os primeiros imigrantes japoneses. Antes mesmo da chegada da estrada de ferro, os bravos japoneses se embrenhavam mata a dentro e abriam clareiras na selva mariliense, com o objetivo de instalar suas famílias e formar cafezais.

Em 1935, Marília possuia 3.313 propriedades agrícolas das quais 72% estavam nas mãos de imigrantes estrangeiros, sendo 42% delas pertencentes aos japoneses.

Quatro anos após a crise econômica de 1929, Marília retomou seu desenvolvimento através do plantio de algodão devido ao menor investimento em relação ao café e ao Japão e Alemanha necessitarem de novos fornecedores de matéria prima para sua indústria têxtil, tendo em vista as restrições sofridas no abastecimento pela Índia. Em 1936, o Município de Marília se transformou no maior produtor de algodão de São Paulo, mantendo essa posição até 1946. A conicultura contou com injeção de capitais japoneses e com o trabalho intenso desses imigrantes.

Apesar de entrar em decadência a partir de 1945, a cotonicultura deu uma grande contribuição e iniciou a industrialização de Marília. Após a instalação de indústrias relacionadas com o benefício do algodão, surgiram pequenas fábricas de bebidas, móveis, massas alimentícias, tecidos e doces, qe foram as precursoras do parque industrial atual.

Em 1938, Marília perdeu grande parte do seu território devido à criação de novos municípios como Pompéia, Quintana e Bastos. Mesmo assim, o censo de 1940 estimou a população em 81.396 habitantes, dos quais os japoneses representavam 19,24% desse total. Em 1941, Marília contava com 2.882 famílias japonesas, sendo 600 na zona urbana e 2.282 na zona rural.

O NIKKEY CLUBE DE MARÍLIA

Em 4 de janeiro de 1935, foi fundada a Associação Japonesa de Instrução de Marília visando desenvolver a instrução primária e o espírito de cordialidade entre japoneses e brasileiros. Entre os presentes fundadores estava o Sr. Shuitiro Oki. Durante a Segunda Guerra Mundial as atividades foram interrompidas e tudo ficou em densa névoa. No dia 19 de fevereiro de 1952, após revogação das medidas restritivas impostas aos imigrantes, ainda sob a presidência do Sr. Shuitiro Oki, era realizada uma Assembléia Geral com vistas à retomada das atividades sociais.

Em 1989, foi adquirida a sede esportiva do clube graças às doações de associados de boa vontade e comprometidos com a missão do clube.

Atualmente, o Nikkey Clube de Marília é referência e orgulho da população de Marília. Árvore plantada à 75 anos, agrega associados de todas as origens para proporcionar a formação de novas gerações de brasileiros diferenciados por essa soma de culturas e até costumes alimentares. Os dirigentes não medem esforços para promover eventos sociais e esportivos, cumprindo fielmente os fins determinados no seu Estatuto Social, desde os mais jovens até os mais idosos, contemplando-os com atividades que melhor lhes servem.


Fonte: Consulado Geral do Japão no Rio de Janeiro.